Ricardo Castro

Ricardo Castro é um dos músicos brasileiros mais completos de sua geração: pianista de projeção internacional, maestro, educador e gestor cultural, com uma trajetória que atravessa continentes e une, de forma inseparável, a busca pela excelência artística e o compromisso com a transformação social.

Nascido em Vitória da Conquista, na Bahia, revelou seu talento excepcional aos cinco anos, quando ingressou na Escola de Música da Universidade Federal da Bahia sob a orientação de Esther Cardoso, discípula de Marguerite Long. Aos dezenove partiu para a Europa e ingressou no Conservatório de Genebra, onde estudou piano com Maria Tipo e regência com Arpad Gerecz. Antes do grande prêmio que mudaria sua carreira, já havia conquistado importantes distinções: o Primeiro Prêmio no Concurso Nacional Villa-Lobos (1979), a Primeira Colocação no Concurso Sul América (1982), além dos primeiros prêmios nos Concursos Rahn de Zurique (1985) e Josef Pembaur de Berna (1986).

Em 1993, tornou-se o primeiro — e até hoje único — latino-americano a vencer o Leeds International Piano Competition, executando o Concerto nº 5 de Beethoven com a City of Birmingham Symphony Orchestra sob a regência de Sir Simon Rattle. A conquista abriu as portas das principais salas de concerto do mundo: o Gewandhaus de Leipzig, a Tonhalle de Zurique, a BBC Philharmonic, a English Chamber Orchestra e a Academia de St Martin in the Fields. Ao longo de décadas construiu parcerias artísticas com nomes como Martha Argerich, Leif Segerstam e Kazimierz Kord. Em 2003, iniciou um duo pianístico com Maria João Pires, parceria que resultou, em 2005, num álbum de obras de Schubert para quatro mãos e piano solo lançado pela Deutsche Grammophon. Gravou ainda uma série de álbuns aclamados pela crítica especializada pela BMG-Arte Nova.

Professor de piano na Suíça desde 1992, primeiro na HEMU Friburgo e, desde 2020, na Haute École de Musique de Genève (HEM), Ricardo Castro desenvolveu igualmente um curso pioneiro de regência ao teclado na Scuola di Musica di Fiesole, na Itália, numa tradição que remonta a Franz Liszt.

Em 2007, convidado pelo governo do Estado da Bahia, fundou o NEOJIBA — Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia —, o primeiro programa público de desenvolvimento humano e social por meio da prática orquestral do Brasil, inspirado no modelo venezuelano El Sistema. Em quase duas décadas de atividade, o NEOJIBA transformou a vida de dezenas de milhares de jovens baianos, realizou múltiplas turnês internacionais em algumas das mais respeitadas salas de concerto da Europa e consolidou-se como referência mundial em música e transformação social.

Em 2013, Ricardo Castro tornou-se o primeiro e único brasileiro a integrar como membro honorário a Royal Philharmonic Society, a instituição britânica que encomendou a Nona Sinfonia de Beethoven e tem em seu histórico nomes como Brahms, Liszt, Stravinsky e Elgar. O reconhecimento coroou uma trajetória marcada pela raridade de unir, com igual profundidade, a carreira solista, a regência, o ensino e a gestão cultural.

Em 2024, Ricardo Castro foi convidado para liderar a criação da primeira orquestra sinfônica profissional de Angola. Após uma masterclass em Luanda e um processo nacional de seleção, cento e trinta jovens músicos angolanos foram escolhidos para um programa de formação inspirado no modelo NEOJIBA. O projeto culminou, em 7 de novembro de 2025, com o concerto inaugural da Orquestra do Cinquentenário no Centro de Convenções de Belas, em Luanda, celebrando os cinquenta anos de independência do país — um momento histórico que afirmou, uma vez mais, que para Ricardo Castro a música é, sempre, um ato de transformação.

Ricardo Castro

×